AUTENTICIDADE
EMPRESARIAL
A Autenticidade Empresarial resulta da harmonia e integração entre Identidade, Comunicação e Cultura local, que são pilares essenciais para a construção de marcas autênticas, inovadoras e profundamente ligadas ao território. A Identidade Local, exemplificada na região do Alto Minho, destaca-se pela valorização da criatividade, inovação e singularidade, elementos que reforçam a credibilidade e a diferenciação competitiva das marcas. No âmbito da Comunicação Local, o recurso a vídeos, interatividade e experimentação revela-se uma estratégia eficaz para criar vínculos emocionais com o público e dinamizar o ecossistema de inovação. Já a Cultura Local enfatiza a essência, herança e autenticidade, valores fundamentais para estreitar a ligação emocional entre empresas e consumidores. Assim, a integração coerente destes três elementos consolida a autenticidade empresarial, promovendo o posicionamento competitivo das marcas e contribuindo para o desenvolvimento sustentável das empresas locais.

Identidade Local com criatividade, inovação e singularidade
Wally Olins observa que “existem quatro factores importantes para identificar o local” (2014, p31) [1]. O primeiro fator é a oportunidade do alto minho como canal político, cultural e humanitário quando usado com inteligência manifesta interesse e descrição. Como personalidade, segundo fator, reconhece a marca local do alto minho como folclore em charme e estilo local. O terceiro fator, a credibilidade, enquadra ‘quem somos’, ‘onde estamos’, ‘o que somos’ e ‘quais os pontos fortes e fracos’ como identidade local para os residentes e não residentes. Todavia, o último fator, a identidade como acaso, representa uma oportunidade momentânea de combinação de marcas e lugares por reconhecerem e conectarem participantes e agentes económicos.
A criatividade é essencial para o sucesso em qualquer área ou setor de atividade. “A criatividade é algo que se treina e não, simplesmente, algo com que se nasce” (Kelley & Kelley, 2019, p11) [2]. Assim, a “criatividade é uma viagem de busca de sentido para as coisas” (Bouquet et al., 2019, p153). [3] “Criatividade é ver o que todo mundo viu e pensar o que ninguém mais pensou” (Brandenburguer, 2019, p4) [4] . Desta forma, a inspiração como criatividade funciona como salto criativo para os estrategas inventarem uma forma genuína de trabalhar, de abordagem para construção de estratégias inovadoras, de base em soluções para novos problemas ou oportunidades através processo de criação de estratégias.
A inovação requer criatividade para o crescimento do negócio da empresa, ampliando o impulso, reduzindo custos e produzindo respostas para os problemas reais. “Inovação é a criação de uma nova oferta viável” (Keeley et al., 2013, p22) [5]. Os marketers perceberam a relação entre empresa/cliente, em conversar em vários canais, para a criação de personalidade da marca e a sua distinção com a concorrência. “O que uma marca concorrente não pode copiar é uma organização – seu pessoal, cultura, herança, programas, ativos e capacidades – porque isso é único” (Aaker, 2014, p44) [6]. A inovação da identidade permite ativar uma característica-chave demonstrada pelo ingrediente secreto com tecnologia e programa específico para criação de significado. Criar um impacto distinto e não trivial posiciona a credibilidade do valor na comunicação como referência e a sua característica reside no benefício exclusivo de missão e valor, vinculado ao desafio da inovação para poder conectar-se. A qualidade percebida deve corresponder então ao prometido pela distinção, argumento de alta qualidade do produto porque o cliente espera satisfação, entrega e oferta. Assumimos, por isto, que o design é inovação e pode contribuir nos contextos locais para recuperar o atraso, aliviar a nossa condição periférica, aportar conotações positivas e negativas que sustentam a cultura de inovação.
A singularidade na identidade local é característica única e especial de algo. A singularidade tecnológica é ponto do qual não haverá distinção entre homem e máquina. “A fusão homem/máquina não é a união de duas partes que formam um todo ou que devem ser reunidas, mas antes a construção de uma forma única; mas único não do ponto de vista da singularidade, mas no sentido de hegemonia e unidimensionalidade” (Tatulyan, 2021, p98) [7]. A singularidade da linguagem ‘local’ como verbo, como logos e como veículo, segue um caminho criativo. O homem realiza-se pela palavra falada, cruzada e entendida, na própria origem da linguagem local de necessidades passionais e morais. A necessidade da linguagem e a razão tornam-se o centro do homem local e o império da cibernética, da inteligência artificial e da informatização reduzem a interpretação do mundo a uma única linguagem, a um código. “Tudo está em toda a parte (arte, pensamento, corpos, sexo, morte), e é por causa dessa democratização que eles desaparecem. Como nada está definido, tudo pode ser trocado, porque tudo é o mesmo (Tatulyan, 2021, p101) [7]. “A máquina imita, a mente é imitada” (Tatulyan, 2021, p102) [7]. A máquina não pensa, apenas reproduz strings lógicas baseadas em algoritmos que seus inventores programaram em seu sistema operacional. “É uma aparência (morta) da mente (viva) do homem” (Tatulyan, 2021, p103) [7]. A linguagem e o pensamento singular na criação são formas radicalmente homogéneas do homem e de todas as coisas. A singularidade criativa “continua a emergir entre seres humanos e máquinas” (Brandenburger, 2019, p197) [4], abordada por analistas como “futuro dessa relação competitiva do que cooperativa, ficando os seres humanos a perder em muitas áreas da economia” (Brandenburger, 2019, p198) [4]. Portanto a singularidade da identidade local é um fenómeno singular, do que é singular local.

Comunicação Local com video, interatividade e experimentação
A vontade de comunicar uma linguagem definida por um pensamento específico prioriza a realidade local, caracterizada em privado/público, actuando como agentes de comunicação na apresentação de novas perspectivas promovendo criatividade no apoio do original e unicidade do projeto. Muitas empresas transmitem a mensagem de forma verbal e não verbal, ao invés de estarem alinhadas com os objetivos de comunicação na procura de inventar novas formas da preservação da comunicação local.
O vídeo como alinhamento da marca atinge o cliente através de uma estratégia criativa, uma compreensão inata entre clareza e finalidade para a comunicação nas plataformas de inteligência baseadas em dados e ferramentas de produção. “O vídeo é um meio de comunicação, não um canal de marketing” (Pemberton, 2017) [8]. “A ligação genuína com público produz um estado emocional, perceção real e sincera em expressão visual” (Pemberton, 2017) [8]. O vídeo “local” como registo audiovisual da comunicação permite gravar imagens e sons em movimento instantâneo para promoção dessa localidade para residentes e turistas. A emoção genuína digital ultrapassa o espaço físico onde o vídeo institucional e empresarial defende a singularidade do momento.
A interatividade troca informações entre uma pessoa e um sistema de comunicação local, tal como, o indivíduo explora o espaço da comunicação como sistema de pertença, herança e propriedade. Ao invés da interatividade empresarial, ele explora-a como comércio local e turístico, numa economia de marcas locais ao seu serviço. A localidade como espaço turístico revela importância para a comunicação empresarial e institucional, ao mostrar o melhor da região, das pessoas e dos produtos, em ações e iniciativas locais de ligação à identidade em comunicação à localidade. Em cidades inteligentes, o “Smart Screen permite que as pessoas façam compras com um toque ou talvez com um acenar de cabeça ou piscando num ecrã público” (Kantar, 2020, p200) [9], possibilidades de as marcas oferecerem formas de compras através destes outdoors transforma o paradigma de comunicação empresarial e, por consequência, a forma como a empresa se define em termos de identidade.
Para (Schrage, 2016) [10], a experimentação local promove a comunicação de pequenas experimentações que tornam o big data útil para a necessidade de criação de inovadores para o sucesso. O propósito, o design e a implementação são experimentações do negócio, ao concordar e adquirir perceção de maior consciência sobre relação de criação de valor que procuram explorar.
A experimentação na economia favorece inovadores preparados para agirem com rapidez. Criam opções de inovação não lineares e interativas. Os clientes smart veem a experimentação como investimento potencial através do esforço da organização gerindo a inovação e risco. Uma experiência mais curta, mais rápida e mais simples reinventará o ecossistema de inovação, tornando-o também ele mais imediato.

Cultura local da história, essência e autenticidade
“Uma cultura material adequada à época que vivemos deve ajudar-nos a reconstruir duas coisas: o ciclo de vida material e o ciclo de vida simbólico dos objectos e dos materiais que todos os dias passam pelas nossas mãos, e nos quais se consubstanciam a nossa vida quotidiana” (Milano & Magri, 2019, p347) [11]. “O que caracteriza a cultura de hoje é um extremo dinamismo, a par das mudanças às vezes dramáticas, que põem em confronto sensibilidades e culturas muito diferentes” (Milano & Magri, 2019, p371) [12].
As narrativas de histórias ajudam a organização em torno de um objetivo empresarial, definindo argumentos convincentes de visualização de futuro para a organização. Uma história bem definida auxilia um líder de uma organização a transformar um conceito abstrato numa tarefa significativa, através de estratégias narrativas para criação de histórias empresariais. O momento de concretização desta transformação consiste em criar uma história verdadeiramente ‘épica’ de princípio, meio e fim. O propósito de uma narrativa determina a forma de motivar pessoas e de partilhar conhecimento, verdadeiro e credível.
Para a Interbrand “a essência é um conjunto de atributos intangíveis e de benefícios, de características-núcleo que definem e diferenciam uma marca” (Swystun, 2008, p48) [13]. A essência que captura bem os elementos principais é o desenvolvimento de líderes que redefinam a forma como fazemos os negócios. Uma opção estratégica é a compreensão de marca local de empresa local porque a razão da sua essência reside no facto da sua segmentação se identificar como um orgulho patrimonial que perdura no tempo e no espaço. O sucesso advém do sabor local e em ser aceite pela cultura local, e não vista como ser estrangeiro. A mudança para um mercado de valor local pode diminuir as margens de lucro, através de fatores como a sensibilidade ao preço, economia instável e categoria pouco diferenciada.
O mercado económico transformou o negócio empresarial, na adaptação ao mundo digital, em cultura de marcas como nova autenticidade e origem enfatizada pela tecnologia e personalidade. As marcas valorizam a herança, origem e fabricação do produto, criando ansiedade na autenticidade local para a compra de produtos frescos, sustentáveis e amigos do ambiente. O cliente local e urbano privilegia a respetiva proveniência, a localidade do produto. Já o cliente digital privilegia a sua necessidade em detrimento da origem do produto. “A marca autêntica vem de todos os lugares, mas devem ser baseadas na proveniência” (Olins, 2014, p14) [1] e no sentimento de autenticidade que obtêm. A autenticidade não é um movimento como moderação e honestidade, mas sim uma manifestação do espírito da nossa época, onde o significado atual é a novidade. O movimento da autenticidade requer um comportamento específico no mercado local e sua identidade.
Conclusão
A autenticidade empresarial emerge como um conceito essencialmente enraizado na Identidade, na Comunicação e na Cultura Local, que juntos formam a base para a construção de marcas genuínas e inovadoras.
A identidade local, com sua criatividade, inovação e singularidade, permite que as empresas se conectem profundamente com suas origens, valorizando o que é único e específico do território, como observado no caso do Alto Minho. Essa identidade não apenas reforça a credibilidade e a personalidade da marca, mas também impulsiona a inovação ao integrar tecnologia e design, criando uma diferença competitiva sustentável.
A comunicação local, por sua vez, é um vetor fundamental para transmitir essa identidade de forma eficaz e envolvente. O uso estratégico do vídeo, da interatividade e da experimentação permite que as empresas dialoguem de maneira mais próxima e emocional com seus públicos, promovendo experiências autênticas e memoráveis. A comunicação local autêntica transforma o espaço físico e digital, aproximando residentes, turistas e agentes económicos, e favorece a construção de um ecossistema de inovação ágil e que envolve resposta adequada à situação.
Por último, a cultura local representa a essência e a história que sustentam a autenticidade empresarial. A valorização da herança, da origem e dos valores culturais locais fortalece o vínculo emocional com o cliente, que busca produtos e serviços que reflitam essa autenticidade. A cultura local dinâmica e em constante transformação exige que as empresas se adaptem, preservando o orgulho patrimonial e promovendo uma narrativa empresarial coerente e inspiradora.
Assim, a autenticidade empresarial é o resultado da integração coerente entre identidade, comunicação e cultura locais, que juntas criam um ambiente propício para o desenvolvimento de marcas verdadeiramente autênticas, inovadoras e conectadas com seu território e seu público. Esse alinhamento fortalece não só o posicionamento competitivo das empresas, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável e cultural das comunidades onde estão inseridas.
Referências
[1] Olins, W. (2014). Brand New. The Shape of Brands to Come. In Brand New. The Shape of Brands to Come (1.a ed, pp. 10–174). Thames & Hudson.
[2] Kelley, T., & Kelley, D. (2019). Recupere a sua confiança. In HBR 10 artigos essenciais. Criatividade (1.ª Ed., pp. 09–21). Conjuntura Actual Editora.
[3] Bouquet, C., Barsoux, J.-L., & Wade, M. (2019). Dê vida às suas ideias inovadoras. In HBR 10 artigos essenciais. Criatividade (1.a ed, pp. 131–154). Actual editora.
[4] Brandenburger, A. (2019). Estratégia exige criatividade. In HBR 10 artigos essenciais. Criatividade (1.a ed, pp. 191–204). Actual Editora.
[5] Kelley, T., & Littman, J. (2016). In The Mix. In The Ten Faces of Innovation. Strategies for Heightening Creativity (2.a Ed). Profile Books.
[6] Aaker, D. (2014). Have compelling Brand Vision. In AAKER On Branding. 20 principles That Drive Success (1.ª Ed., pp. 23–76). Morgan James publishing.
[7] Tatulyan, M. (2021). La Singularidad. In La Singularidad Radical. Ensayo sobre los Fenómenos Singulares (1.ª Ed., pp. 97–106). Experimenta Libros.
[8] Pemberton, C. (2017). Create an Effective Video Campaign. https://www.Gartner.Com/En/Marketing/Insights/Articles/Create-an-Effective-Video-Campaign.
[9] Kantar. (2020). BrandZ Top 100 Most Valuable Global Brands 2020. https://www.Kantar. com/Campaigns/Brandz-Downloads/Brandz-Top-100-Most-Valuable-Global-Brands-2020.
[10] Schrage, M. (2016). The innovator’s Hypothesis. In The Innovator´s Hypothesis. How cheap experiments are worth more than good ideas (1.a Ed., pp. 3–211). Mit Press.
[11] Milano, M., & Magri, L. (2019a). Design Sincrético. In Frontiere. Expressões de design contemporãneo (1.ª Ed., pp. 362–416). Esad Idea.
[12] Milano, M., & Magri, L. (2019b). Objectos. Design, Autoreprodução e Artesananto. Galerias de Design. Conversão Ecológica. In Frontiere. Expressões de design contemporãneo (1.a ed, pp. 180–361). Esad idea.
[13] Swystun, J. (2008). Interbrand. Glossário de Marcas (J. Swystun, Ed.; 1.a ed). Bookman.
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